www.ciberscopio.net José Afonso Furtado O Pixel e o Papel Conclusão Teixeira Lopes e Antunes referem que a expressão
de Baudelot (Baudelot et al, 1999, p.245) “o fim da leitura como
facto cultural total”,
pretende salientar a crescente indiferença das populações
juvenis face às “normas culturais dominantes”. De qualquer
modo, não se trata da “crise” ou da “morte” da
leitura como prática em si mas, simplesmente, de uma metamorfose
num modelo outrora tido como único e universal. O que Baudelot pretende
realçar é que, doravante, “ler livros não é um
acto vital. Não é igualmente um acto de reverência
ao património literário (...) a leitura é uma prática
como outras, de divertimento ou de formação, submetida à intermitência
dos desejos e das necessidades, aos acasos das biografias individuais e
aos constrangimento das redes de sociabilidade”. E acrescentam que “o
que certamente acabou foi uma situação em que imperava, por
vezes de forma majestática, o monopólio do livro. (...) Entendamo-nos:
o livro perde o monopólio da leitura e da consagração
dos valores «civilizacionais» mas não desaparecerá com
as novas tecnologias ...” (Lopes e Antunes, 2001, pp.31-35). Mas essas novas materialidades
pressupõem que os papéis vão (Derrida, 2001, p.29).
|