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CiberDifusão

José Afonso Furtado

O Pixel e o Papel
Introdução
Livro Electrónico: Ensaio de Definição
Versões Electrónicas e Reconceptualização do Livro no Mundo Digital
Mediação Tecnológica e Remediation
Da Cultura do Impresso à Cultura no Mundo Digital
Conclusão
Referências

Conclusão
Estamos pois a viver a crise das estruturas institucionais e ideológicas que tinham até agora mantido a antiga “ordem da leitura” e encontramo-nos no dealbar de uma outra era a que por agora corresponde, na feliz expressão de Petrucci, uma “desordem” na leitura (Petrucci, 1997).

Teixeira Lopes e Antunes referem que a expressão de Baudelot (Baudelot et al, 1999, p.245) “o fim da leitura como facto cultural total”, pretende salientar a crescente indiferença das populações juvenis face às “normas culturais dominantes”. De qualquer modo, não se trata da “crise” ou da “morte” da leitura como prática em si mas, simplesmente, de uma metamorfose num modelo outrora tido como único e universal. O que Baudelot pretende realçar é que, doravante, “ler livros não é um acto vital. Não é igualmente um acto de reverência ao património literário (...) a leitura é uma prática como outras, de divertimento ou de formação, submetida à intermitência dos desejos e das necessidades, aos acasos das biografias individuais e aos constrangimento das redes de sociabilidade”. E acrescentam que “o que certamente acabou foi uma situação em que imperava, por vezes de forma majestática, o monopólio do livro. (...) Entendamo-nos: o livro perde o monopólio da leitura e da consagração dos valores «civilizacionais» mas não desaparecerá com as novas tecnologias ...” (Lopes e Antunes, 2001, pp.31-35).
As novas materialidades que suportam a escrita não anunciam o fim do livro ou a morte do leitor. Existe, existirá portanto, como sempre, escreve Derrida, “coexistência e sobrevivência estrutural de modelos passados no momento em que a génese fará surgir novas possibilidades.” (Derrida, 2001, p.30).

Mas essas novas materialidades pressupõem que os papéis vão
ser redistribuídos, e que, em conclusão, se trata de reconhecer que é uma nova economia que se estabelece. Uma nova economia que “faz coexistir de um modo dinâmico uma multiplicidade de modelos, de modos de arquivo e de acumulação. E que isso é, desde sempre, a história do livro.”

(Derrida, 2001, p.29).
Lisboa, 12 de Abril/10 de Maio de 2003.José Afonso Furtado

 

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